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Fotografar é minha diversão

Quando deixar de ser, deixo de fotografar!

Posso dizer que sou uma pessoa feliz! A vida já nos traz problemas demais para sermos amargos, chatos e reclamões. Vejo ultimamente nas mídias sociais uma crescente onda de pessoas reclamando sobre o mercado fotográfico, sobre a banalização da fotografia, sobre a prostituição de preços, sobre a invasão de novos fotógrafos no meio profissional.

Galera, acorda! Sempre foi assim!

Quando resolvi trocar uma cadeira confortável num escritório de arquitetura por uma câmera pendurada no pescoço, o cenário fotográfico era o mesmo! Muita gente reclamando do mercado, ao mesmo tempo em que havia muita gente chegando e fazendo a diferença. Eu escolhi entrar nesse mercado e fazer a diferença. Isso tem quase 15 anos.

O mundo mudou, não apenas a fotografia.

Da mesma forma que “ficou fácil fotografar”, a evolução tecnológica facilitou a vida de muita gente. Qual razão para fotografia ser diferente? Informática, design, ilustração, interiores, criação, diagramação, projetos, web, e por aí vai, todos praticamente sofrem dos mesmos problemas que nós fotógrafos sofremos. O mundo mudou, e a oferta de profissionais e serviços cresceu naturalmente. Agora eu pergunto, adianta reclamar? Resolve seus problemas falar que o mercado está saturado de novos talentos? Vejo um cenário mais positivo, onde temos a oportunidade de lapidar nossa categoria, e dessa forma elaborarmos um plano onde todos tenham um patamar sustentável.

Isso somente será possível com o compartilhamento da informação.

Até onde eu posso, faço minha parte para que nosso mercado seja fortalecido. Embora – sendo muito sincero – geralmente me sinto um barco vazio, vagando em águas desconhecidas. Falta apoio, falta crescimento do mundo corporativo fotográfico em termos de amadurecimento e envolvimento em projetos de bem comum, voltados a nossa classe.

Ou seja, o famoso patrocínio.

As empresas de fotografia no Brasil precisam entender que apoio não paga a criação e desenvolvimento de projetos. Sim, sou um cara utópico. O outro lado da moeda, por assim dizer é que, muitas pessoas acabam centralizando informações por ver seus projetos, suas ideias serem simplesmente copiadas a revelia. Concordo que isso é muito desagradável. Pude sentir na pele isso, quando após dar uma palestra ao vivo, on-line e gratuita sobre formação de preços – onde tivemos a participação de 857 pessoas – o tópico passou a ser tema de cursos e workshops repentinamente. Havia prometido não falar abertamente sobre isso, mas é preciso mostrar a outra face da moeda, para que isso sirva de alerta. Ou seja, se você se abastece de informação, faça também a sua parte:

Compartilhe informação.

Seja um agente promotor sobre o assunto que você dominar. Eu aprendo muito compartilhando, e esse sentimento é formidável. Sim, a fotografia me diverte. Pensar soluções, apresentar conceitos, e conseguir captar a felicidade das pessoas exercendo a minha profissão. Acredito que esse é meu propósito. Quando esse propósito deixar de existir, eu deixarei de fotografar e compartilhar.

Tyto Neves