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Sobre minha quase candidatura a vereador

Ainda estou digerindo o fato de ter sido cortado.

 
Sim, isso mesmo, fui cortado de minha candidatura a vereador.
O motivo?
Um só, o famoso jogo político.

Ou você – assim como eu, acredita que um idealizador e utopista seria interessante para algum grupo político?
 

Ao menos para o grupo em que eu estava não.

 
O fato de ser nascido na cidade, ter história, tradição familiar e bons relacionamentos e ótimos projetos não foi o suficiente, e numa tarde qualquer fui comunicado que não “haveria legenda” – afinal, outros candidatos mais “fortes” teriam mais chance…

Dá para acreditar que vivemos numa democracia?

Poderia ter contestado judicialmente e simplesmente não assinar a ata das homologações das candidaturas, afinal negaram meu direito constitucional de exercer minha cidadania e concorrer.
Logo eu, filho de uma pessoa que trouxe alguns partidos importantes para a cidade, numa época onde a política ainda era elaborada à base de ideais.
Meu plano de governo, assim como as ações estratégicas estavam prontos…

O soco no estômago foi grande, e o constrangimento aumentava à medida em que precisava explicar para todas as pessoas que haviam compartilhado comigo o sonho a triste noticia.
Ao final, sabe quantos candidatos de “meu partido” foram eleitos?

Nenhum.

Não posso afirmar que eu seria eleito, mas o DIREITO de me candidatar foi negado por conveniências alheias ao meu direto democrático.

Ficou a lição, que machuca a cada lembrança por ver o cenário político Brasileiro no atual estado e não ter sequer tido a chance de fazer a diferença.

Entendo que para Deus, exista um tempo certo.

O que não entendo, e muito menos aceito é a intervenção do homem em meu direito democrático.

Como disse, ficou a decepção – por acreditar que poderia exercer a politica que meu pai me ensinou a acreditar.

“A política é uma ferramenta para melhorar a vida das pessoas”

Concordo com essa frase de meu querido pai, mas hoje, se ele estivesse vivo, acredito que completaria com o seguinte pensamento:

mas os homens podem estragar a política com a politicagem.

Essa seria a capa final de meu plano de propostas com 26 páginas.

Alguns amigos me orientaram a trocar de grupo.

Meus familiares me orientaram a não me envolver mais com a política.

Outros amigos disseram que foi um grande Livramento.

Não citarei nomes aqui, pois a consciência de cada um pesa ao longo da vida.

Como também falava o Sr Daniel:

Eu coloco minha cabeça no travesseiro e durmo.

Meu pai acreditava na política, nos valores morais e principalmente nas palavras de um homem.

Nos criou para sermos homens de palavra, homens honrados.

Homens que cumprem seu papel na sociedade honrado compromissos assumidos independentemente de acordos ou facilidades.

Esses valores estou transmitindo para meus filhos.

Minha frase “Tendências são passageiras, o caráter é permanente” nunca fez tanto sentido.

Enfim, é isso.

Que os eleitos possam honrar suas palavras e cuidar da população.

TYTO NEVES – Outubro de 2016.