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Sustentabilidade Urbana em tempos de Blockchain

Entre as Quadrículas de Cerdà e os Bitcoins de Satoshi Nakamoto

 

Numa semana em que o Bitcoin atingiu sua nova máxima histórica ultrapassando a barreira dos 63 mil dólares por unidade, precedendo uma queda – eminente -de mais de 21% trago um tema importante que, assim como a moeda digital merece ser observado de perto.

A sustentabilidade urbana, tema de debates antigos quando ainda estava na faculdade de arquitetura vem se transformando ao longo das décadas e, ao contrário do que deveria, vem adaptando-se a falta planejamento urbano e crescimento desenfreado das cidades.

Ao demarcarmos o espaço tempo com início na elaboração do Plano Cerdá (Barcelona,1860 – ) podemos observar o surgimento do termo “urbanização”.
Apresentado através das famosas “Quadrículas de Cerdá” o plano foi responsável por projetar e implementar o espaço urbano democrático com a criação de calçadas largas dividindo o espaço entre carruagens e bondes e os pedestres, que tinham metade da rua para se locomover.

Nessa época Barcelona estava prestes a colapsar com a superlotação e epidemias causadas em grande parte devido a insalubridade urbana.

Muito resumidamente o Plano Cerdá ocupou-se em como pensar a cidade preocupando-se prioritariamente com quem iria habitar a cidade e seu convívio social gabaritando a altura dos prédios, criando áreas verdes dentro das quadras projetadas de modo a conseguir a máxima ventilação e insolação.

Vale destacar, que, como o tempo, devido a especulação imobiliária a quadrícula passou a ser ocupada totalmente descartando-se as áreas destinadas aos jardins.

Embora o planejamento inicial de Cerdá tenha sido transformado e muitas de suas diretrizes não tenham sido aplicadas vemos um visionário ponto em comum com Satoshi Nakamoto – pseudônimo do suposto criador do bitcoin – responsável por desenvolver o primeiro banco de dados de blockchain, tecnologia que faz o registro de transações de moedas digitais, sendo o Bitcoin a mais popular delas.

Blockchain é a tecnologia de registro distribuído, que funciona como um livro-razão público, compartilhado e universal operado por registro de conjunto de blocos operados em rede.

Assim como Ildefons Cerdà antecipou um cenário necessário para que pudéssemos dar início ao que chamamos de urbanismo e assim abrir caminho para os moldes do traçado urbano e finalmente o planejamento sustentável das cidades, Satoshi Nakamoto ao criar o Bitcoin antecipou o sistema que viria a ser definido como Defi – Decentralized Finances.

As finanças descentralizadas não são controladas por nenhum banco ou instituição financeira e dessa forma trazem benefícios diretos como a rapidez de transações sem a necessidade pagamento de taxas abusivas.

Essa democratização das fianças descentralizadas embora seja o futuro das negociações P2P, acredito ser um passo de volta a um passado não tão distante, onde o planejamento sustentável perdeu espaço para a especulação imobiliária.

Temos novamente a chance de zelarmos pelo espaço coletivo de forma sustentável, visto que cada dia mais não serão necessários templos de mercado capitalistas localizados em grandes centros urbanos, pois em qualquer lugar em que estivermos poderemos realizar operações financeiras sem o deslocamento físico, bastando apenas termos em mãos um computador e uma boa conexão.

Vivemos a revolução do urbanismo, vivemos a revolução das finanças, portanto é preciso repensar a maneira de planejar as cidades para que possamos resgatar o pensar sobre a cidade tornando-as em ambientes de uso comum sustentáveis, assim como são as economias descentralizadas.

TYTO NEVES

 

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